Paróquia realiza IV Encontro da Rede da Ação Social

A caridade e o respeito aos direitos humanos como fatores para uma vida plena foram os temas centrais do IV Encontro de Rede da Ação Social da Trindade, realizado no dia 25 outubro, na Paróquia da Trindade, em Florianópolis. O encontro começou com uma missa em ação de graças e, na sequência, foi realizado o credenciamento e oferecido café da manhã aos participantes.

O evento contou com palestras do Frei Evandro Aparecido de Souza e do juiz João Marcos Buch. Frei Evandro falou sobre o tema “Caridade: a Igreja a serviço da vida plena para todos”.

“Todo ser humano tem direito a uma vida plena. A caridade não é somente doar, fazer uma doação. A caridade também é traduzida pelo amor, um amor descompromissado, ajudar alguém sem esperar nada em troca”, proferiu o frei em sua palestra, completando: “a caridade me obriga a sair de mim mesmo e ir ao encontro de outras pessoas, daquele que sofre, daquele que necessita”.

Através da Parábola do Bom Samaritano, Frei Evandro lembrou aos presentes que a caridade está fundamentada nos próprios ensinamentos da Bíblia. “O que nos leva à caridade é a Palavra de Deus. A fé cristã está centrada na capacidade de amar a Deus e ao próximo. A falta de caridade nos impede de ver as outras pessoas”, disse.

O segundo a falar no IV Encontro foi o juiz João Marcos Buch, da Vara de Execução Penal de Joinville, sobre o tema: “Vida plena para todos: cidadania e direitos humanos – as interfaces e a efetivação da dignidade humana”.

“Estamos vivendo tempos difíceis. Há muita crítica em relação aos direitos humanos. Dizem que serve para proteger bandido, que não se importa com as vítimas. Não é isso. Os direitos humanos são uma instituição histórica, conquistada com muita luta e que ainda são violados em todas as áreas, em especial a do sistema prisional”, explicou Buch.

O juiz relembrou a história da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, na esteira do fim da Segunda Guerra Mundial, que provocou a morte de milhões de pessoas. “A Declaração foi um compromisso da humanidade com as gerações futuras para que nunca mais haja um holocausto”, destacou.

Ele criticou ainda a forma desumana como a maior parte dos detentos tem sido tratada em presídios e penitenciárias de todo o país, e afirmou que é possível entender as razões e trabalhar em cima das causas da violência, impedindo assim que os jovens venham a se perder na criminalidade. “A Constituição Federal de 1988 garante a proteção aos direitos humanos de todos”, ressaltou o magistrado.

Em Joinville, ele ajuda a desenvolver dois projetos no sistema prisional local: um de remição da pena por meio da leitura e outro de oficina literária. A ideia é ajudar a recuperar os detentos. “Vidas são transformadas por meio da literatura”, apontou Buch.

Após as palestras, foi aberto espaço para questionamentos e debate. O encerramento do evento ocorreu com almoço de confraternização.

Texto: Carolina Holland