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Pastoral dos Surdos

História da pastoral e seu objetivo dentro da paróquia

Não há registros anteriores a 2019. Nesse ano, a intérprete de Libras-Português Camila Aprígio iniciou seu trabalho nas missas na Paróquia da Trindade. Por fazer parte da Comunidade Surda e atuar junto a surdos universitários da UFSC, próxima à matriz, passou a organizar os horários das missas de modo a possibilitar a participação das pessoas surdas, geralmente aos sábados às 18h ou aos domingos às 10h.

No passado, quando havia maior participação da comunidade surda, as missas eram interpretadas semanalmente. O objetivo principal da Pastoral do Surdo é evitar a violência linguística em um espaço onde as pessoas surdas buscam Deus, além de reduzir a privação linguística que enfrentam na sociedade. Ao garantir intérpretes de Libras-Português nas missas e eventos paroquiais, a Paróquia da Trindade contribui para o acesso a direitos como informação, liberdade de crença e expressão.

Como funciona na prática: atividades, encontros, formações e ações realizadas

Atualmente, como a Igreja Católica ainda não contrata intérpretes e depende exclusivamente de servidores voluntários para este ministério, há uma missa mensal conforme o calendário da catequese.

Conta-se com a presença de uma CODA (filha de pais surdos) na catequese da paróquia, o que contribui para o agendamento das missas interpretadas. No terceiro sábado do mês, às 18h, costuma-se realizar a reserva de bancos para pessoas surdas, favorecendo sua participação na missa com interpretação em Libras.

Contribuição para a vida da comunidade e evangelização

A Pastoral do Surdo, mesmo composta por servidores voluntários, contribui para a inserção de pessoas surdas na vida comunitária. Atualmente, conta com dois servidores: Wellington Peres Vasconcelos e Camila Aprígio.

Como não há verba destinada à contratação de profissionais, o número de celebrações com interpretação ainda é limitado, mas o serviço realizado já produz impacto significativo na vida dos surdos católicos da região.

Desafios e alegrias vivenciadas pelos membros

Os intérpretes que atuam há anos na Pastoral do Surdo, Camila (Minas Gerais) e Wellington (Brasília), relatam diversas experiências marcantes vividas pelos fiéis surdos durante a Santa Missa interpretada. Muitos demonstram interesse em participar mais ativamente da vida paroquial, incluindo cursos bíblicos, grupos de oração e projetos sociais.

Uma das pessoas surdas que frequenta as missas aos sábados relata que sua família tem sido transformada gradualmente pela ação do Espírito Santo, e que receber a Eucaristia tem sido para ela um consolo e fortalecimento diante das dificuldades do dia a dia.

Outras informações relevantes ou testemunhais

Espera-se que a Igreja Católica avance ainda mais no acolhimento das pessoas surdas, considerando que em outras denominações há remuneração de intérpretes (cerca de R$ 200,00 por hora), o que possibilita maior constância e participação.

A participação mensal ainda é limitada para quem deseja viver plenamente os sacramentos e a vida eclesial. Além disso, surdos que desejam se confessar em Florianópolis frequentemente precisam buscar padres fluentes em Libras em Minas Gerais ou entrar em contato com o Padre Wilson Czaia, da Arquidiocese de Curitiba, o único padre surdo do Brasil.

A consciência sobre os direitos linguísticos das pessoas surdas precisa ser fortalecida por meio de ações concretas que promovam acolhimento, respeito à língua e plena participação na vida da Igreja.